Você escolhe um cosmético pela promessa da embalagem ou já parou para olhar o que existe dentro dele?

“Com vitamina C”, “efeito lifting”, “ação antioxidante”, “alta performance”... A embalagem pode dizer muita coisa. Mas, se você quer entender de verdade o que está comprando, existe um lugar mais interessante para olhar: a lista de ingredientes.

O que é INCI?

A lista de ingredientes de um cosmético segue uma nomenclatura padronizada internacionalmente chamada INCI (International Nomenclature of Cosmetic Ingredients).

É por isso que você encontra nomes como Niacinamide, Tocopherol, Glycolic Acid e Hyaluronic Acid em vez de simplesmente “niacinamida”, “vitamina E”, “ácido glicólico” e “ácido hialurônico”.

No Brasil, a Anvisa disponibiliza inclusive uma ferramenta para consultar a correspondência entre a nomenclatura INCI e os nomes em português. Anvisa — Nomenclatura de ingredientes cosméticos

Mas saber o nome do ingrediente é só o começo.

A ordem dos ingredientes importa mas não conta tudo

De forma geral, os ingredientes aparecem em ordem decrescente de predominância na formulação. Isso significa que os primeiros ingredientes estão presentes em maior quantidade que os seguintes, dentro das regras aplicáveis à rotulagem. FDA — Cosmetic Labeling Requirements

Mas atenção: a lista não revela a concentração exata de cada ingrediente.

Então, não dá para olhar um produto e concluir que o primeiro ingrediente representa 50% da fórmula ou que o terceiro representa 10%.

E também não significa que o primeiro ingrediente seja necessariamente o “mais importante” para o resultado. Um cosmético é uma formulação: cada componente pode ter uma função diferente.

“Tem o ativo” não significa que todos os produtos são iguais

Essa é uma das informações mais importantes para quem começa a ler rótulos.

Dois produtos podem conter o mesmo ativo e ainda assim apresentarem formulações completamente diferentes.

Concentração, forma química, estabilidade, veículo, pH e combinação com outros ingredientes podem influenciar o desempenho de uma formulação.

Por isso, “tem vitamina C” é uma informação não uma garantia de resultado.

O mesmo vale para retinol, niacinamida, ácido glicólico, ácido hialurônico e tantos outros ingredientes que ganharam destaque no skincare.

O ativo importa. A fórmula também.

E os ingredientes que parecem “vilões”?

Conservantes, fragrâncias, silicones, petrolatos... alguns ingredientes ganharam uma reputação quase automaticamente negativa.

Mas ler um rótulo não deveria ser um exercício de caça aos vilões.

Conservantes, por exemplo, podem ter uma função importante na proteção microbiológica de um cosmético. Fragrâncias podem ser relevantes para pessoas com determinadas sensibilidades. E a origem de um ingrediente natural ou sintético não determina sozinha se ele é melhor ou pior.

A pergunta mais útil é:

Qual é a função desse ingrediente dentro dessa formulação?

É muito mais interessante do que simplesmente perguntar se ele está na lista de “permitidos” ou “proibidos”.

E os famosos “sem”?

“Sem parabenos.”
“Sem petrolatos.”
“Sem fragrância.”
“Sem silicones.”

Essas informações podem ser importantes dependendo das suas preferências e necessidades. Mas a ausência de um ingrediente, sozinha, não transforma automaticamente um produto em melhor.

O mais importante é entender o que a fórmula escolheu colocar — e por quê.

Como começar a ler um rótulo?

Na próxima vez que comprar um cosmético, faça cinco perguntas:

1. Quais são os principais ingredientes da fórmula?
Olhe além da frente da embalagem.

2. O ativo que está sendo anunciado realmente aparece na composição?
Não fique apenas na promessa.

3. Qual é a função dos ingredientes?
Nem tudo na lista é “ativo”. Há ingredientes responsáveis por textura, hidratação, conservação, estabilidade e outras funções.

4. A marca está prometendo mais do que a fórmula pode explicar?
Um ingrediente famoso não é sinônimo de resultado milagroso.

5. Essa fórmula faz sentido para o que eu preciso?
Essa talvez seja a pergunta mais importante de todas.

O rótulo não precisa ser complicado

Você não precisa decorar uma lista enorme de nomes químicos para fazer escolhas melhores.

Começar a ler rótulos significa simplesmente questionar um pouco mais as promessas e entender um pouco melhor as fórmulas.

Porque skincare não deveria ser sobre comprar o maior número de produtos ou procurar o maior número de ativos.

Deveria ser sobre saber o que você está escolhendo e por quê.

No fim, o que importa é o que está dentro.

Fontes